Pequeno post acerca de um Aeroporto do Primeiro Mundo, no século XXI.

“Hi, my flight arriving late, can you check Thisbe connection, please?”

“Yes sir, no problem! (…) Actually your connection flight is delayed to 9:15 and the gate will be 53.”

“OK, so… gate 53 at 9:15.”

“That’s correct, sir.”

“Thanks!”

“Sorry sir, your flight departed At 8:30. On gate 50.”

O caro leitor pode imaginar a coisa a partir daqui. E seja qual for o resultado, andará decerto longe da realidade.
O estranho é já não estranharmos.

(Post via telemóvel, breve e com erros, provavelmente)

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Síria, ONU, Aliados, Observadores.

It was the first day of July;
No wind breathed in the sky
When a pin-striped suit
Saw that the Institute of Mental Health was burning

He stood upon the corner
Where the sun was warmer…
Looking across the street
He moved the shackles on his feet
As the Institute was burning

Flames were roaring, singing like a thunderstorm;
Smoke was pouring straight up to the sky;
Windows smashing, Gothic doors and lintels fall;
Timbers crashing and we both know why

Nobody else came by to stare;
You see, they didn’t really care
Can’t call the fire brigade –
None of them had been paid
And so the Institute was burning

Throughout the city, people say it isn’t pretty
Everyone agrees, and everyone feels glad;
Doctored brains celebrate and everyone waves their chains…
It’s a pity they’re all mad

The Institute of Mental Health
Spontaneously killed itself
Ashes to ashes
And dust to dust:
My chains began to rust
As the Institute was burning, burning, burning

Post Periférico

acerca disto que, por causa daquilo, escreveu o Jijeque: nunca por nada seria capaz de limitar o direito de dizer o que quer que seja ao Quintela, ou a quem quer que seja. Basta, aliás, ler o extenso título do post. O mau gosto fica mais do lado dos aplausos do que da inabilidade do artista. De resto, é meu atributo rir tanto das pequenas coisas quanto das mais inconvenientes – e só não o faço neste caso porque os objectos das piadas não podem defender-se. Como em qualquer situação de bullying.

your old road is rapidly agin’

CJT escreveu, hoje, sobre periferias da liberdade de expressão. Há sempre um momento em que todos sabemos que se chegou a um limite ético ou moral. Mas isso é para nós, que somos tão zelosos da liberdade em abstrato, enquanto não somos vítimas ou não estamos próximos das vítimas ou conscientes do estigma da vítima. Para haver um bullie é preciso haver uma vítima e também é preciso tolerância ao bullie. O humor não pode ser bullying porque bullying não é humor, é uma manifestação de relações de poder, um reforço do estigma. Quando assim é, temos um impasse no seu reconhecimento. Demoramos a lá chegar. Mas, eventualmente, lá regressamos ao ponto de partida.

Aquele momento em que já não sabes mais, em que a tua capacidade de ter piada acabou, e te decides pela coisa fácil, a de tentar provocar asco sob a capa do humor e da liberdade de expressão, ao mesmo tempo que lá vais fazendo uma espécie de polémica que justifique a avença no Correio da Manhã dizendo uma espécie de piada que, lida de um lado, provoca o asco, mas lida do outro é uma “crítica mordaz” ao sistema, que isto dá para tudo, explicarás, em nome já não me lembra bem do quê.

Nota prévia: este texto deve ser lido enquanto imaginamos o nasalado púbere do José Diogo Quintela nos nossos ouvidos. Eu sei que é difícil imaginar com os ouvidos, mas o esforço compensa.

[JDQ ENTRA EM CORRIDA LENTA, PALMAS E ASSOBIOS DA PLATEIA]

JDQ: É preciso muita vontade de atacar o governo para os pais terem a lata de reclamarem das condições em que os filhos fazem quimioterapia,

[RISOS]

JDQ: justamente na mesma semana em que crianças sírias levaram os seus químicos sem se queixarem da assoalhada em que estão.

[GARGALHADAS]

JDQ: No s. João, ao menos, têm um corredor. Já Viram Ghouta? Nem paredes há!

[JDQ MIMA PAREDES, PARA UM E O OUTRO LADO DA PLATEIA, GARGALHADA GERAL E PALMAS]

JDQ: Trata-se de paizinhos que se lamuriam das condições de tratamento dos filhos, mas provavelmente rejubilam com o défice de 0,9%.

[RISOS]

JDQ: Sonsos que querem radioactividade na eira e chuva no nabal.

[GARGALHADAS]

JDQ: E ainda têm o desplante de se queixarem das correntes de ar.

[GARGALHADAS]

JDQ: A criança tem cancro e é uma constipaçãozinha que lhe vai fazer mal?

[JDQ MIMA FEBRE E CONSTIPAÇÃO, PARA UM E O OUTRO LADO DA PLATEIA, GARGALHADA GERAL E PALMAS]

JDQ: Picuinhas.

[GARGALHADA GERAL, PALMAS, ESPECTADORES A REBOLAREM NO CHÃO, CONFETTIS, JDQ SAI PARA A PLATEIA EM CORRIDA, DISTRIBUINDO APERTOS DE MÃO, ABRAÇOS, BEIJOS E SELFIES]

— Ler Oncolamúrias (Correio da Manhã)
— Ver versão impressa (Facebook)

Tratado das Paixões da Alma: Winter of 88.

Vai um homem fazer pela vida e, quando regressa, isto está transformado num “blog sério”. Tratemos então de manter as aparências.

Retalhos da vida anónima VI

PtSuave
O Português era Suave como seda.

“Mas não ia deixar de fumar?” pergunta o dono e empregado do café.

“Eu? Não posso!” responde o cliente, pelos vistos habitual, “isto é o meu remédio para os nervos! Se não venho fumar um cigarrinho de hora a hora começo a ficar nervoso e sou capaz de partir tudo do meu patrão, à minha volta!” continua, “É a única coisa que me consegue acalmar!!”

“Então é o seu calmante…” diz o primeiro.

“É isso mesmo! É isto [o cigarro] e o café! Se não tomo café dá-me os nervos e parto tudo!” revela o homem, que claramente sofre muito dos ditos.

“É isso e também uma cerveja a meio da tarde!”, prossegue, “uma cerveja a meio da tarde e uma a meio da manhã! Uma a meio da tarde, uma a meio da manhã e ao almoço e outra depois do trabalho e ao fim do jantar!!!”

Venho-me embora enquanto o homem toma a sua dose de calmantes, com ar sereno. Não sei o que pensar… talvez em começar a fumar para quando “me derem os nervos…”

2017-04-18